a propósito da cultura

se consumir cultura implica ser complacente com os episódios que esta semana aconteceram em portugal, prefiro ser inculto.

um de gravidade acentuada, com joão soares, e um outro, com joana vasconcelos, apenas revelador da futilidade que graça nalguns setores da sociedade portuguesa. 

a propósito do infeliz episódio do ex-ministro da cultura, aquilo que me vem de imediato à cabeça, até é uma questão lateral. o chinfrim que não seria por parte de putativos moralistas, mas efetivos papagaios da moralidade, se o episódio fosse com um ministro do anterior governo. imagino as irmãs mortágua, catarina martins, jerónimo de sousa, joão galamba, ana gomes, santos silva e outros tantos quejandos, a fazer um ruído ensurdecedor com discursos taxativos, acusatórios e com um nível dramático a antecipar o fim do mundo. aliás, no seguimento da mesma linha de raciocínio, não consigo perceber o porquê de alguns dos citados estarem completamente mudos com o incidente a envolver luaty beirão, quando este acaba de ser condenado, mas que quando eram oposição, e ainda nem sequer era conhecido o veredicto que confirma uma democracia de fachada em angola, gritaram palavras de ordem a plenos pulmões, promoveram e participaram em manifestações e vigílias para denunciar uma certa inércia do governo à época.

já a propósito da infeliz, e absurda, ideia de joana vasconcelos querer levar consigo jóias e gadgets no caso de ser uma refugiada, e de o dizer ao mundo sem qualquer pudor, além de ser revelador de alguma falta de noção da realidade, também é revelador da irrelevância social da campanha/movimento intitula(o) “se fosse um refugiado  que levaria na mochila?”.

e é isto que a cultura representa em portugal. se, por um lado é apenas um veículo para propagandear um certo status, que até pode significar um vazio de conhecimento imenso, e para alimentar poderes e interesses ocultos, por outro lado é o oposto extremo da realidade, difícil de perceber por ser tão distante e nonsense. também é, por esse facto, que as pessoas “normais” não consomem mais cultura.


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